sábado, 9 de agosto de 2014

Aula Livre, Livre!!!

As aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I acontecem duas vezes por semana e uma vez a cada dois meses a ultima aula do mês é chamada de livre, livre. Nos meses alternados tem a aula livre coletiva, onde os alunos negociam juntos o que irão jogar. Na aula livre, livre, eles podem escolher entre um universo imenso de opções, o quartinho de materiais fica a disposição para fazer tudo que quiser. E sabe o que dizem os alunos neste? Eu odeio aula livre, livre, não tem nada pra fazer.
Tem grupo que pede pra trocar por livre coletivo, preferem brincar todos juntos de forma conduzida.


Mesmo com milhares de possibilidades a sua frente eles não conseguem ver nenhuma. Eles fazem atividade física, direcionada. Moro em um prédio que tem uma área de lazer incrível e quase nunca vejo crianças brincando, quando eu era criança passava muito mais tempo na área de lazer do que em casa, hoje é ao contrário, porque as crianças não sabem brincar espontaneamente, só brincam que alguém conduz.
Tenho perguntado aos Pais em reunião e incentivado que isso acontece, momentos de brincadeira espontânea. Por exemplo, ir no parque brincar de bola, subir em árvore, rolar na grama, brincar livremente, brincar livre, simplesmente brincar, sem regras, sem ninguém direcionar, livre, que acontece de forma espontânea, livre, livre.
A importância da Educação física se amplia cada vez mais neste mundo que aperta muito botão e se movimenta muito menos. Cada vez mais importante desenvolver habilidades motoras, porque as pessoas não estão explorando seus movimentos, além da aula de educação física, que como são poucas não dão conta de suprir essa necessidade.
As crianças hoje se cansam muito rápido, e são acomodadas no sentido de não quererem enfrentam algo que seja um pouco mais difícil, sempre preferem o que já conseguem fazer. Eu tenho um aluno que sempre diz: "Jogar Minecraft é mais fácil".
Precisamos ampliar a experiência dos nossos pequenos, porque o ser humano não vai conseguir ampliar a mente se deixar o corpo de lado. O corpo pra ser saudável precisa de movimento, quanto mais movimentos novos, mais sinapses, quanto mais sinapses maior a rede neural. A mente precisa do corpo, o corpo precisa da mente.
Mostrar pra essa geração que há diversão longe do universo eletrônico, mostrar que pode se passar uma tarde andando de carrinho de rolimã, jogando peteca, pião ou bolinha de gude, pulando corda ou empinando pipa. Há muitas forma de se divertir movimentando o corpo e a mente.
Se o brincar já era importante, agora é fundamental, o habito da prática de atividade física começa de pequeno. Brincar de forma livre e espontânea ajuda a desenvolver o corpo e a relaxar a mente, uma mente mais relaxada é uma mente mais concentrada e mais criativa, ou seja mais produtiva.
Assim com certeza também vamos diminuir os milhares de transtornos de dificuldade de aprendizagem, as crianças precisam de experiências livres, brincar de forma livre, livre.



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Além dos muros da quadra...

       A Educação Física Escolar ainda não encontrou de fato uma forma eficiente de desenvolver seu conteúdo. Umas das linhas de pesquisa nessa área vêm propondo uma Educação Física além dos muros da quadra. Não dá mais para continuar simplesmente jogando bola. A Educação Física assim como todas as outras disciplinas é uma área de conhecimento, que deve ensinar conceitos importantes para nossa qualidade de vida e manutenção de saúde, como a importância da prática de atividade física regular, os benefícios de uma boa alimentação, os cuidados com a higiene pessoal, além de estudar as diversas formas de manifestação da cultural corporal.

    Ainda hoje algumas escolas seguem um currículo limitado aprendendo e se especializando em apenas 4 esportes: handebol, vôlei, basquete e futsal. E então perguntamos: será que de fato aprender a jogar apenas 4 modalidades esportivas vai me trazer algum benefício na vida adulta? Se eu aprender um pouco sobre diversas modalidades não só esportiva, mas toda e qualquer possibilidade de manifestação da cultura corporal não estarei mais preparado para escolher o que praticar na vida adulta?

        Eu não costumo ver pessoas praticando esportes na vida adulta, existem raros grupos de mulheres que pratica esporte e claro os homens que eternamente se reunião para bater aquele bolinha, mas é sempre isso, o famoso Futebol. Sabemos que o esporte tem um poder de promover diversas coisas boas. Não estamos questionando o esporte, mas sim pensando porque só esporte e mais porque de aprender apenas 4 modalidades e simplesmente aprender a jogar, sem nenhum questionamento de onde surgiu, porque foi inventado, qual era o contexto da época, enfim estudar mais a fundo essa manifestação da cultura corporal, e também porque não estudar outros esportes além desses.

       Hoje já muitos professores trabalham além de esportes, vemos no currículo da Educação Física Escolar jogos, brincadeiras, esportes, lutas, atividades rítmicas, ginástica, e conhecimento do e sobre o corpo, vemos grupos estudando diferentes conteúdos como Tchoukball, Yoga, Parkour...



      Diversificar o conteúdo é também acolher a todos, pois se trabalhamos apenas com esporte com bola, vamos favorecer apenas uma parcela de nossos alunos e os demais se sentiram de certa forma incompetentes. Diversificando podemos mostrar que existem diversas possibilidades de cultura corporal, e que cada pessoa terá suas preferências e mais ou menos habilidades para uma determinada coisa. Assim acreditamos também estarmos contribuindo ao não sedentarismo. Pois muitas pessoas hoje não praticam atividade física como manutenção para sua saúde e qualidade de vida por conta de terem trauma da época de escola ao se sentiram incompetentes para isso.

      Queremos pessoas que ao final da escolaridade saibam gerenciar sua própria atividade física. Que possam encontrar uma atividade prazerosa para praticar com frequência e com isso colher os benefícios que essa prática regular pode trazer. Mostrar várias opções, compreender os benefícios que cada opção pode oferecer para o desenvolvimento e para a saúde do corpo e da mente é função da Educação Física.

         Somos uma área muito importante, pois somos capazes de promover saúde física e mental, a socialização, momentos de alegria e descontração, consciência corporal, disposição para viver, felicidade e bem estar. Nossa aula deve ser pensada em todos e não obrigar a todos a vivenciar determinados esportes sem ao menos dar sentido a isso. Quando damos significado o aprendizado acontece e que é de fato importante fica guardado. Assim também nos damos a oportunidade de aprender mais, de conhecer novas práticas, não precisamos ser especialistas para ensinar algo, basta termos disposição para aprender. Ser um aprendiz eterno pode te tornar um melhor Educador.

        Aproveite janeiro para renovar, leia e busque novidades para suas aulas. Veja sobre que práticas corporais o mundo anda falando Slackline, Stand up, Skate, Corrida, Pilates, entre milhares de outras.

Aproveite as merecidas férias para descansar, se divertir, se renovar e se reinventar!

Boas festas! Feliz 2014!!!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Regras para conviver melhor

Para vivermos em sociedade precisamos de regras, para que o jogo funcione também precisamos das regras. Em ambos os casos as regras devem ser claras e devem favores a todos. Mas nem sempre é assim que acontece.

Regras tem a função de organizar, de fazer com que as coisas funcionem melhor, mas também há regras burras, regras que são autoritárias que não são bem pensadas. Em um colégio que estudei por alguns poucos anos tinha regras sem sentido algum: uma era de que o tênis usado para ir a escola tinha que ser obrigatoriamente de cor branca ou vinho, pelo uniforme ser dessa cor. Porque alguém não poderia estar de tênis azul ou preto, ia deixar de aprender pela cor do tênis?
Imagino que hoje em dia essa escola não tenha mais essa regra, pois ela não tem sentido de existir. Porem alguém precisou questioná-la para que ela fosse repensada.

Um dos objetivos do meu trabalho é repensar o tempo todo que tipo de experiências eles estão tendo por meio dos jogos que estou oferecendo aos meus alunos, com que tipo de regras eles estão aprendendo a lidar, são regras que são justas para todos?

O cuidado precisa ser muito grande para não cairmos em contradição ou para não parecermos hipócritas. No contexto da Educação Física e do Esporte isso se torna ainda mais complicado, por que é como se neste contexto algumas coisas fossem permitidas como por exemplo o uso do palavrão. Existe um comum acordo que durante a torcida de um jogo é permitido o uso do palavrão. Um vez numa discussão com os alunos sobre o uso do palavrão, pois a regra da aula é que não é permitido o uso do palavrão, então eles diziam em que contextos os pais os permitiam o uso do palavrão, e na torcida num campo de futebol, no transito e quando alguém se machuca eram unânimes as opiniões que nestes casos é permitido. Mas na escola mesmo nestes casos a regra é não ao uso do palavrão! Caraca! Put's grila! tem que ser assim!  

Outra coisa que é permitida em alguns esportes é o "jogo de corpo" ou seja em outras palavras é permitido empurrar o outro com o corpo. Essas regras vão criando que tipo de relação entre os jogadores? Existem formar de competição que também vão lidar com a superação sem precisar de violência, mesmo que seja sem intensão acaba sendo violência. E podemos muito bem e será melhor pra todos jogador sem o jogos de corpo agindo de fato mostrando sua habilidade física, isso é que é bonito de ver, um jogador que joga limpo e faz bonito.



Em breve novos novos com regras pensadas pra vivermos e convivermos melhor! Jogando por um mundo melhor! Jogando pela paz!


domingo, 19 de maio de 2013

Saia da mesmice, além do quarteto fantástico existe um universo de modalidades esportivas.

Um dos conteúdos da área da educação física são os Esportes, que infelizmente ainda hoje continuam sendo exploradas apenas quatro modalidades durante todo ano, em alguns casos elas são organizadas em bimestres e se repetem ao longo de toda escolaridade. O “quarteto fantástico”, apelido dado pelas pessoas que percebem que a educação física vai além de um quadrado, você deve estar imaginando e com certeza acertou, Handebol, Futebol, Vôlei e Basquete.


Assim aprendemos, assim ensinamos? Sai dessa, extrapole, vá além, pesquise, conheça outros possibilidades muito mais interessantes, mostre a diversidade aos seus alunos. Se você realmente acredita que o esporte ajuda a na formação de um ser ético você deve ampliar suas possibilidades, existem esportes que tem a ética como principio e de fato vão contribuir para a formação de ser humano mais ético.

Você conhece o Tchoukball? Nunca ouviu falar? É um esporte. Novo? Não, criado em 1960. Porque é poucos conhecido? Ótima pergunta, por que é um esporte incrível em todos os sentidos. Eu conheci através de minha Amiga e parceira de trabalho Adriana Zoppello, a uns 5 anos atrás quando ela me convidou para ministrar um curso para a equipe de professores de Educação Física no Colégio Polícia Militar, onde ela fazia a coordenação dessa área.


Amor a primeira vista, mesmo sem o material necessário, sem o quadro de remissão, adaptei o jogo para poder ensinar aos alunos, pois os princípios, a forma de trabalhar a competição de maneira ética era o mais importante. Os alunos gostaram do jogo e fui atrás do material. Segui jogando de forma adaptada esses anos todos até que neste ano finalmente consegui o sonhado quadro de remissão e mais conseguimos uma oficina com o Archimedes Moura que nos ajudou a compreender mais sobre esse esporte tão interessante.

http://www.carandavivavida.com.br/content.php?Categ=4&contentID=1459

http://www.carandavivavida.com.br/content.php?Categ=4&contentID=1804

Um esporte de competição, dinâmico, ágil, rápido, divertido, diferente de todos os outros, pois os jogadores não podem atrapalhar a jogada do time adversário, devem acompanhá-la a fim de tentar pegar a bola que será lançada no quadro de remissão após no máximo três passes.

Ficou curioso quer saber mais, http://www.tekokatu.com.br/

Renove seus conteúdos, basta disposição para aprender e você verá que existe um universo amplo e repleto de riquezas, Esportes é um conteúdo cheio de possibilidades não se limite a apenas 4, saia do conforto e busque novidades. Você conhece Corfebol?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Nuvem Bol. Nasce um novo Esporte.

Durante as aulas de Educação Física da Carandá Vivavida Educação com os alunos dos 4ºs anos do Ensino Fundamental I desenvolvo um projeto no qual o objetivo final é a criação de novos jogos. Os alunos trabalham divididos em pequenos grupos, discutem ideias, e criam jogos incríveis.

Você pode conferir a nossa produção deste ano e dos anos anteriores em nosso blog! http://educacaofisicanaescolacaranda.blogspot.com.br/


Alguns alunos extrapolam o projeto criando sozinhos ou em duplas seus próprios jogos, esse foi um ano que tivemos muitas produções. Em destaque uma produção que virou nossa nova modalidade Esportiva: Nuvem Bol.

Todos os anos as mesmas perguntas são feita: Será que outras pessoas jogam os nossos jogos? Será que um dia um de nossos jogos pode chegar a se transformar num Esporte Olímpico?

Dessa vez estamos acreditando que sim, que nosso novo esporte, Nuvem Bol pode sim um dia se tornar uma modalidade esportiva e quem sabe olímpica. Então começa aqui nosso trabalho de divulgar para o mundo todo o nosso novo jogo. 



Sua história

2012, 4º ano do Ensino Fundamental I, projeto de criação de novos jogos realizado nas aulas de Educação Física da Carandá Vivavida Educação pela Educadora Física Daniella Tonioli.

O processo já havia começado, já estávamos na fase de trabalho em pequenos grupos finalizando nossas produções para apresentar. Neste momento alguns alunos me contaram que tinham criados jogos sozinhos. Pedi então que eles colocassem suas ideias no papel e trouxessem a aula, que no final das apresentações coletivas eles teriam espaço para apresentarem seus jogos, e assim alguns alunos me entregaram sua produção. O aluno João Pedro Gadel Lima, mais conhecido como Jota, me entrega esse papel que está na foto abaixo.




Quando comecei a ler não estava acreditando, aquilo era genial, um menino de 9 anos cria sozinho um jogo inteligente, bem estruturado, fiquei boba com o nível da produção, e ansiosa pra colocar o jogo em ação. Apenas uma coisa me intrigava, os jogadores deveriam ficar parados nos lugares escolhidos, achei que isso poderia tornar o jogo meio parado demais, mas não, mesmo parado o jogo consegue ser dinâmico, é realmente um jogo sensacional.

Depois de algum tempo chegou o grande dia e colocamos o jogo em ação, os alunos adoraram, fizemos alguns pequenos ajustes, sempre seguindo a opinião do criador, Jota. Levei o jogo para o outro 4º ano e para os 3ºs anos. Foi unânime, todos adoraram o jogo. Resolvemos então organizar o I Torneio de Nuvem Bol, os jogos foram acontecendo durante as aulas de Educação Física, quatro classes participavam do torneio, duas de 4º anos e duas de 3ºanos, cada uma com seu time masculino e feminino, todas as turmas jogaram com todas as turmas, pelo número de vitórias ou saldo de pontos definíamos quem disputaria a final entre 3ºs e 4ºs lugares e 1ºs e 2ºs lugares masculinos e femininos. E no dia 11/12/2012 durante a grande final ficamos todos juntos a tarde toda assistindo os jogos, torcendo, jogando, cooperando, competindo, aprendo, ganhando ou perdendo.




Nossa missão espalhar o Nuvem bol pelos quatro cantos do planeta! Entre no nosso Blog aprenda a jogar Nuvem Bol, ensine seus amigos, leve pra sua escola, quem sabe em breve não realizamos um Toneio interescolar de Nuvem Bol, quer participar? Comece a treinar agora!



sábado, 14 de janeiro de 2012

Regras, jogos e Sociedade

Durante um jogo de pique-bandeira em uma de nossas aulas de Educação Física, um aluno que não conseguiu ter êxito na sua tarefa de roubar a bandeira soltou um @#$%¨#%#$¨%$%¨!!!!! O grupo imediatamente olhou pra mim esperando uma atitude, tirar o fulano da aula por um tempo determinado, por ter desrespeitado a regra de não poder falar palavrão durante a aula.


Então chamei o fulano que ainda estava bravo com a situação, e se justificava dizendo que estava bravo por não ter conseguido roubar a bandeira e por isso falou o palavrão, que não ofendeu ninguém.
Então eu disse:

- Eu sei que você não ofendeu ninguém, mas lembra do nosso combinado de não falar palavrão, você pode usar outras palavras, como caramba que droga! Isso por exemplo, não é palavrão.

Fulano: - Todo mundo fala palavrão, porque não posso falar se não estou ofendendo ninguém? Qual é o problema? Porque então existem essas palavras se elas não podem ser usadas?

Eu – Cara é assim, não vamos ser hipócritas de dizer que as pessoas não falam palavrão, mas temos que saber nos adequar a cada situação, é claro que as vezes eu falo palavrão na minha vida pessoal ou quando estou só entre adultos, mas alguma vez você já me viu falar palavrão?

Fulano- Não, nunca!

Eu – Então, é isso! Estamos na Escola, na Escola não é permitido. É saber se adequar as situações, isso é importante na vida.

Fulano – ok! Entendi! Posso voltar pra aula?

Na nossa aula de Educação Física a regra é de respeitar, portanto não é permitido agressão nem verbal e nem física, e nem o uso do palavrão. Claro que em casos extremos quando acontece uma topada ou uma bolada relevamos quando a pessoa solta um palavrão que seja necessário para aliviar a dor. Mas ainda sim lembramos que o palavrão pode ser substituído por palavras similares que não tem o mesmo significado, como por exemplo, caramba!

Em diversas aulas já discuti com os alunos sobre o uso do palavrão, pois muitos alegavam que seus pais falavam palavrão em algumas ocasiões, então eles diziam que em alguns contextos os pais permitem o uso do palavrão, como por exemplo, na torcida num campo de futebol ou durante um outro jogo, no transito, quando se machuca, essas eram algumas situações que a permissão era quase unânime. Conversamos um pouco sobre Fairplay, pra que eles compreendessem que na verdade no universo do jogo e do esporte também não é permitido, a regra também é de respeito. Outra coisa importante de se pensar é onde este jogo está acontecendo? No nosso caso dentro da escola, dentro da escola cabe o uso do palavrão? Assim eles percebem que não é hipocrisia, mas sim uma questão de adequação.

O cuidado precisa ser muito grande para não cairmos em contradição ou para não parecermos hipócritas. No contexto da Educação Física e do Esporte isso se torna ainda mais complicado, por que é como se neste contexto essas coisas fossem permitidas. Existe uma idéia que é de comum acordo na sociedade que durante a torcida de um jogo ou mesmo o jogador em campo pode fazer uso de palavrão. Precisamos chegar aos extremo da agressividade entre as torcidas organizadas de morrer pessoas para que as pessoas repensassem sobre essas “regras”.



Para vivermos em sociedade precisamos de regras, para que o jogo funcione também precisamos das regras. As regras nos ajudam a nos organizarmos. Em ambos os casos as regras devem ser claras e favorecer a todos. Mas nem sempre é assim que acontece, nem sempre as regras são bem planejadas, muitas vezes são confusas e em alguns casos chegam a ser contraditórias, em outros casos muitas vezes favorece apenas uma minoria, e em grande parte das vezes essa minoria é quem menos precisa ser favorecida. Assim é no jogo, assim é na vida.

Regras têm a função de organizar, de fazer com que as coisas funcionem melhor, mas também há regras que são burras, regras que não tem motivo algum para existirem. Eu tive a experiência de estudar por alguns poucos anos em um colégio que tinha regras sem sentido como: pelo fato do uniforme ser de cor branca e vinho, o tênis também tinha que ser obrigatoriamente de uma dessas duas cores. Claro que eu ia para a escola de tênis azul, e por diversas vezes fui chamada à diretoria. Eu questionava à diretora sobre essa regra, alegando que ela não tinha sentido em existir, que se ela conseguisse me provar que eu aprenderia mais estando de tênis da cor branca ou vinho eu assim viria calçada, caso contrário qual o problema do tênis ser azul, ou preto, ou cinza? Claro que hoje em dia essa escola não tem mais essa regra, pois ela não tem sentido de existir, mas alguém precisou questioná-la para que ela fosse repensada. Muitas regras da nossa sociedade precisam ser repensadas.

Um dos objetivos do meu trabalho é repensar o tempo todo nas regras dos jogos que estou oferecendo aos meus alunos, que tipo de experiências eles estão tendo por meio dessas atividades, com que tipo de regras eles estão aprendendo a lidar, são regras que são justas para todos?

Não quebre as regras e nem deixe de respeitá-las, elas existem para organizar e facilitar as nossas vidas, mas algumas delas precisam ser questionadas e repensadas. A regra não tem que ter o julgamento de boa ou ruim, ela precisa fazer sua função de organizar, melhorar e garantir que todos tenham a mesma oportunidade.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os bons discípulos superam seu mestre

Pra mim esse é o grande barato de ser professor, ver seu aluno ir além, extrapolar, ultrapassar a barreira do conhecimento e ir mais adiante. Essa é uma das grandes satisfações desse trabalho de ensinar. Mas para que isso aconteça você como mestre deve estar disposto são só a ensinar mais também a aprender, pois é só nesse momento em que a mágica acontece. Quando o mestre percebe que seu discípulo está pronto e o deixa caminhar sozinho, pouco a pouco ele vai ganhando confiança até chegar a superação! Para o mestre, mas do que a satisfação de dever cumprido é a satisfação de avançar mais um degrau, crescer e evoluir com a superação do seu discípulo.


Venho fazendo esse trabalho durante minhas as aulas de Educação Física, aos poucos vou dando pequenas tarefas que vão desenvolvendo habilidades necessárias para a tarefa maior, criar novos jogos. O jogo é um dos “conteúdos” da Educação Física e na minha opinião o mais fascinante. Por meio do jogo conhecemos o ser humano, colocamos prática nossa capacidade de lidar com diversas situações inesperadas, pois por mais que já conhecemos o jogo ele será sempre surpreendente. O mesmo jogo pode acontecer de maneira completamente diferente quando jogado por grupos diferentes. O mesmo jogo também será diferente quando jogado novamente pelo mesmo grupo. O jogo é imprevisível, uma vivência única e que pode ser transformadora. Jogamos de acordo com nossos valores, tomamos decisões a todo momento tentando fazer o melhor possível.


O jogo possibilita o desenvolvimento de habilidades e competências, por meio deles podemos desenvolver o Ser Humano, nossa capacidade de cooperar e competir com ética. Para criar novos jogos é preciso primeiro compreender os jogos que já conhecemos, entender sua estrutura e quais habilidades e competências estão sendo desenvolvidas por meio dele. Depois podemos misturar dois jogos conhecidos transformando num novo jogo, até por fim sermos capazes de criar novos jogos diferentes dos já existentes.


Durante o ano de 2011 criamos, testamos e jogamos os novos jogos criados pela turma que cursava o 4º ano do ensino fundamental I na Escola Carandá e agora você pode conhecer e levar para seus alunos jogarem também! Acesse nosso blog http://educacaofisicanaescolacaranda.blogspot.com/ e comece o ano oferecendo novas oportunidades de jogar. Dê a oportunidade de seus alunos criarem, eles são muito mais criativos do que você pode imaginar, basta dar espaço pra que a mágica aconteça!


 

Deixe que seus discípulos tenham oportunidade de supera-lo, afinal o bom mestre é aquele que está sempre aberto a aprender!

Boas Férias e um Bom retorno!!!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

David Gallahue no Brasil!!!

          20/08/2011! Esse foi um sábado realmente incrível!!! Neste dia participei de um workshop de Desenvolvimento Motor com o Mestre David Gallahue que aconteceu no Mackenzie Tamboré, organizado pelo Grupo de Coordenadores das Escolas de Esporte, um grupo de Profissionais de Educação Física da mais alta competência. São eles coordenadores de grandes clubes e escolas de esportes, que todo ano com a preocupação de fazer um trabalho de excelencia, proporcionam palestras e workshops para todos os professores que trabalham sob sua coordenação. Já tive o prazer de ministrar uma oficina “Jogos que Educam” para alguns desses professores que trabalham sobe a coordenação desse grupo maravilhoso. Conheci esse grupo pela Adriana Zoppello, que faz parte desses coordenadores, e hoje é além de uma grande amiga, minha grande parceira de trabalho com os jogos cooperativos e a gestão de grupos.

         Cheguei uns minutos atrasada, mas exatamente na hora em que o mestre David Gallahue disse: Bom dia! E em seguida discursou durante 2 horas uma excelente palestra, falando sobre os estágios do desenvolvimento motor, aquisição de habilidades, o despertar das capacidades físicas, como desenvolver a motivação. Ao final da palestra um sorteio de três livros, entre eles o livro do Gallahue "Educação Física desenvolvimentista para todas as crianças". E a sorte estava ao meu lado, ganhei o livro! Mas não foi apenas isso que ganhei naquele dia! A generosidade de David em transmitir seu conhecimento é sensacional, assim como a incrível disponibilidade em atender a nossas dúvidas.

Sempre ao lado de David estava Renato, doutor em biomecanica pela USP, que estava como tradutor simultâneo, então aproveitei sua presença para conversar com David.

Dani – Renato me ajuda a fazer uma pergunta para ele.

Renato – sim , fala.

David presta atenção.

Dani – Há 9 anos atrás eu fiz um workshop com você na FMU e nessa ocasião eu te fiz uma pergunta que hoje gostaria de refazer e acrescentar mais uma pergunta.

Renato – Calma! Deixa eu traduzir

David – FMU, yes.

Dani - Ele entendeu!

Renato diz em inglês para ele que eu quero refazer uma pergunta que fiz naquela época.


Dani – naquela época eu tinha um aluno que durante o treino de vôlei sacava por baixo de uma maneira totalmente fora do padrão motor, mas seu saque era eficiênte, sua bola passava para o outro lado da rede e caia dentro da quadra do adversário, ele sacava assim (realizei o movimento para mostrar e nesta hora ele disse...)

David – I Remember! Excellent question!

Dani – (paralisei por um instante, fiquei muuuuito feliz por ele lembrar! Comemorei internamente e então continuei...) a pergunta foi a seguinte, é mais importante aprender o movimento padrão ou conseguir realizar a tarefa mesmo que o momento não cumpra o padrão? Na época você me respondeu realizar a tarefa, disse que era importante que o aprendiz tivesse sucesso. Complementando a pergunta, quero saber se mesmo ele obtendo sucesso com um movimento diferente, devo deixá-lo seguir fazendo esse movimento diferente ou devo ensiná-lo o movimento padrão?

David respondeu em inglês

Renato – ele disse que vai responder pra todos quando todos se sentarem, que essa pergunta é muito boa.

Então quando todos se sentaram novamente antes de encerrar a primeira parte da manhã ele disse que algumas pessoas tinham feito perguntas e tinha uma que ele queria responder a todos. Ele retomou todo contexto anterior para situar a todos e respondeu:

David - Sim a tarefa realizada, o sucesso do participante é mais importante. Se devemos ensinar a ele o padrão de movimento? depende de muitos fatores, em primeiro lugar temos que ver se o indivíduo quer, se ele tem interesse nisso, pois se for só para recreação ele pode fazer o movimento que quiser, mas se um dia ele quiser tornar-se um jogador de vôlei ele terá que aprender a sacar por cima de qualquer forma, seguindo certos padrões de movimento. Se decidirmos por alterar o movimento, temos que saber como motivar nosso aprendiz, pois ele poderá voltar a fases anteriores de erro e insucesso até adaptar-se ao novo movimento.

          Aproveitei para autografar meu livro, almoçamos e seguimos para a parte da tarde onde iniciamos com mais um momento de palestra. A palestra desta vez falava da importância do auto-conceito, que podemos chamar também de auto-estima, ou seja o que você pensa sobre si mesmo, o valor que você dá a si mesmo. O poder que nós professores temos em aumenta ou diminuir essa auto-estima, com palavras ou gestos positivos ou negativos. O quanto devemos cuidar da forma que iremos motivar nosso aprendiz. Em seguida passamos a uma parte prática pra colocar todos os conceitos em ação. E pra fechar com chave de ouro não podia faltar a foto pra eternizar esse momento!


Essa semana David Gallahue está no Brasil se você tiver a possibilidade não perca a oportunidade de estar com ele!

Dani Tonioli

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O que de fato ensinar nas aulas de Educação Física?

         Diferente de outras disciplinas da escola a Educação Física não em um currículo organizado de modo que se aprenda o mesmo conteúdo independente da escola, como acontece na maioria das outras disciplinas como matemática, história, língua portuguesa entre outras. No caso da Educação Física o conteúdo oferecido depende da concepção que a escola tem sobre a área, mas principalmente da competência do professor e de sua disposição em variar e ampliar o leque de possibilidades.

         A Educação Física já passou por transformações, desde inicialmente sua influência na era militar, com o propósito de fazer ginástica para manter o corpo forte e saudável, passando por uma fase com a preocupação de ensinar a cuidar do corpo, desde as necessidades básicas de higiene a saúde do corpo e  uma outra com o foco nos esportes, na produção de possíveis atletas, além dos jogos e brincadeiras que sempre permearam nossas aulas. Nossos objetivos vão desde essa educação do corpo, passando pelo aprendizado e aperfeiçoamento das modalidades esportivas, visando à promoção da saúde e também a recreação, o lazer, a socialização, aprender a conviver e a trabalhar em grupo. Atualmente misturamos tudo isso em nosso planejamento, cada tema desses representando um bloco temático. Ainda sim as escolhas, os recortes que são feitos de todo esse universo irão depender muito dos professores e de sua competência.




           Já há alguns anos acompanho o trabalho de Marcos Garcia Neira, um pesquisador, que é Doutor em educação pela USP e tem graduação tanto na área de educação física como na pedagogia. Isso a meu ver amplia sua capacidade de ver a educação física nesse contexto escolar. Seu trabalho mais recente em parceria com o Prof. Mario Nunes chama-se “Cultura Corporal”. Uma metodologia com base na pesquisa de campo para trabalhar os elementos da cultural corporal durante as aulas de educação física. Marcos juntamente com Mario coordena um grupo de pesquisa na área da educação física escola, com o foco em estudar assim como aplicar essa pedagogia da cultura corporal.

http://revistaescola.abril.com.br/educacao-fisica/fundamentos/vez-formar-atletas-analisar-cultura-corporal-487620.shtml

           Claro que cada escola e cada professor precisam adequar às propostas a sua realidade, nem tudo funciona em todos os lugares. O importante é conhecer todas as possibilidades que estão sendo experimentadas e trazer o que pode contribuir para que você dentro da sua realidade consiga construir uma prática melhor. Afinal cada realidade é uma uns tem 20 alunos outro 50, uns tem 50 minutos outros 30, uns tem quadra outros mal tem espaço, uns tem materiais outros improvisam como podem, uns tem uma aula por semana outros tem a sorte de terem duas.

          Fico muito feliz de constatar que temos muitos profissionais de Educação Física Escolar de qualidade. Recentemente, há um mês atrás ministrei um curso no Sieeesp, para professores de Educação Física Escolar, com o intuito de ensinar a criar novos jogos, compartilhar da minha experiência como profissional dessa área, ensinar o que pra mim funciona, e poder aprender ainda mais com cada um dos participantes que ali estavam. Pessoas preocupadas em fazer melhor a cada dia, preocupadas em valorizar a área, preocupadas em fazer seu trabalho da melhor forma, pessoas que buscam reciclar e aprender, modificar, fazer diferente, buscam fazer melhor. São pessoas assim que fazem a diferença na educação.

        E você o que pensa sobre isso? Que conteúdos você anda abordando em suas aulas? Você encontrou um bom caminho para sua prática?

   Uma coisa que não podemos deixar de pensar é que conteúdo basta acionar o google, o que vai de fato ser importante em uma aula são as vivências que podemos proporcionar o tipo de reflexão que iremos propor, que relações estabelecemos entre esses conteúdos, que saberes iremos construir. O conteúdo é um meio, ele não deve ser um fim. Há algo muito mais importante que me faz escolher um determinado conteúdo, é o que de fato tem maior relevância pra vida. No caso da educação física como lidamos muito com atividades coletivas o aprender a conviver e a respeitar os outros a meu ver são conteúdos de fundamental importância. Aprender a viver e a se relacionar com a vida isso é o que no fundo mais importa.

Namastê!!!